Aruanã / Lebréia / Macaco d’agua / Sulamba
Osteoglossum bicirrhosum (Cuvier, 1829)
Descrição:
Peixe de grande porte, corpo alongado, comprimido lateralmente, com perfil dorsal e ventral suavemente arqueados. Cabeça relativamente grande, com boca superior, ampla e protrátil, adaptada à captura de presas na superfície. Mandíbula inferior projetada além da superior.
Escamas grandes, cicloides, fortemente imbricadas, conferindo aspecto metálico ao corpo. Linha lateral bem marcada, contínua, estendendo-se da região opercular até o pedúnculo caudal.
Coloração geral prateada brilhante, com reflexos iridescentes; nadadeiras hialinas a levemente acinzentadas. Em indivíduos jovens podem ocorrer manchas escuras pouco definidas.
Nadadeiras dorsal e anal longas, posicionadas posteriormente no corpo, quase simétricas entre si, auxiliando na locomoção lenta e precisa próxima à superfície. Nadadeira caudal arredondada.
Espécie distinguida das demais espécies fluviais brasileiras pelos seguintes caracteres diagnósticos:
- Presença de dois barbilhões mentonianos bem desenvolvidos na mandíbula inferior
- Boca superior e protrátil, com mandíbula inferior proeminente
- Escamas muito grandes, cicloides, com forte brilho prateado
- Nadadeiras dorsal e anal longas e recuadas, quase opostas
- Corpo comprimido lateralmente, adaptado ao nado superficial
- Comportamento típico de predador de superfície, frequentemente observado saltando fora d’água
Diferencia-se de outros Osteoglossidae sul-americanos pelo padrão de coloração uniforme prateada e pela ausência de manchas corporais evidentes nos adultos.
Distribuição geográfica:
Espécie amplamente distribuída na Região Norte do Brasil, restrita à Bacia Amazônica, onde ocorre de forma natural.
Registra-se sua presença nos principais sistemas hidrográficos amazônicos, incluindo:
- Rio Amazonas e seus grandes afluentes
- Rio Solimões
- Rio Negro
- Rio Madeira
- Rio Tapajós
- Rio Xingu
- Rio Purus
- Rio Juruá
- Rio Trombetas
Tamanho máximo conhecido:
O tamanho máximo conhecido para o aruanã (Osteoglossum bicirrhosum) é de aproximadamente:
- 90 cm de comprimento total,
- com registros excepcionais podendo se aproximar de 1,0 metro.
Na maioria dos ambientes naturais, os indivíduos adultos apresentam comprimentos entre 60 e 80 cm, sendo os maiores exemplares encontrados em áreas com grande disponibilidade de alimento e baixa pressão de pesca.
Habitat e comportamento:
Espécie típica de ambientes lênticos e semilênticos da Bacia Amazônica. Ocorre principalmente em:
- Lagos de várzea
- Igapós
- Braços de rios
- Áreas sazonalmente alagadas
Habita preferencialmente águas calmas, com pouca correnteza, mantendo-se próximo à superfície da água. Durante o período de cheia, dispersa-se pelas florestas inundadas, explorando ambientes ricos em alimento. Na vazante, concentra-se em lagos marginais e canais principais.
Peixe predador, solitário e territorial, com atividade predominantemente diurna. Apresenta comportamento característico de caça na superfície, capturando presas tanto dentro quanto fora da água.
É conhecido pela habilidade de realizar saltos vigorosos fora da água para capturar insetos, pequenos vertebrados e outros organismos associados à vegetação marginal.
Indivíduos adultos demonstram defesa de território, especialmente em áreas de alimentação. A natação é lenta e controlada, com movimentos elegantes das nadadeiras dorsal e anal longas, permitindo precisão nos ataques.
Durante o período reprodutivo, ocorre cuidado parental, com incubação bucal realizada pelo macho.
Hábito alimentar:
Espécie de hábito alimentar carnívoro, com dieta predominantemente composta por organismos associados à superfície da água e à vegetação marginal.
Alimenta-se principalmente de:
- Insetos (especialmente artrópodes terrestres que caem na água)
- Peixes de pequeno porte
- Crustáceos
- Eventualmente outros pequenos vertebrados
Apresenta estratégia de predação baseada na visão, com ataques rápidos e precisos. É notável a capacidade de realizar saltos fora da água para capturar presas localizadas em galhos, folhas ou estruturas acima da lâmina d’água.
Durante o período de cheia, amplia o espectro alimentar ao explorar a floresta inundada, enquanto na vazante concentra a alimentação em ambientes restritos, como lagos marginais e canais principais.
Reprodução:
Espécie ovípara, com fecundação externa e cuidado parental desenvolvido. A reprodução ocorre, em geral, no período de cheia, quando há maior disponibilidade de áreas alagadas e alimento.
Após a desova, os ovos de grande tamanho são recolhidos pelo macho, que realiza incubação bucal, mantendo-os protegidos na cavidade oral até a eclosão. As larvas permanecem sob cuidado do macho por um período adicional, sendo frequentemente observadas retornando à boca do progenitor em situações de risco.
O comportamento reprodutivo envolve formação de pares temporários, com defesa da área durante o período de incubação. Esse tipo de estratégia aumenta significativamente a taxa de sobrevivência da prole.
Área de pesca:
O aruanã é capturado principalmente em rios e lagos da Bacia Amazônica, em trechos de águas calmas e próximos à superfície. As áreas de pesca mais comuns incluem:
- Rios principais e seus afluentes: Amazonas, Solimões, Negro, Madeira, Tapajós, Xingu, Purus, Juruá, Trombetas
- Lagos de várzea e braços secundários dos rios durante a estação seca
- Áreas de igapó e florestas inundadas na cheia, onde o peixe se dispersa para alimentação e reprodução
Equipamento:
Varas com carretilha ou molinete
Categoria de potência:
Leve a média leve
Ação sugerida:
Rápida e super rápida
Iscas:
O aruanã é um peixe predador de superfície, portanto as iscas mais eficazes exploram movimento e aparência natural próximos à lâmina d’água.
1. Iscas artificiais
- Popper: superfície, com ação de “splash” para atrair o peixe; ideal para provocar ataques acrobáticos.
- Stickbaits / Walking Baits: deslizam sobre a superfície, simulando peixes em fuga.
- Plugs flutuantes: podem ser trabalhados com pausas e movimentos bruscos, estimulando ataques.
- Soft baits de superfície: pequenos peixes ou insetos artificiais, com aroma ou cor natural.
2. Iscas naturais
- Peixes vivos pequenos: lambaris ou tetras, ideais para pesca com anzol simples.
- Crustáceos: camarões ou pequenos caranguejos, eficazes em rios de várzea e igapós.
- Insetos grandes: grilos ou besouros, caindo naturalmente na água ou lançados manualmente.
3. Dicas técnicas
- Trabalhar iscas lentas e com pausas é mais eficaz, já que o aruanã observa a presa antes de atacar.
- Durante a estação de cheia, movimentar a isca próximo à vegetação inundada aumenta o sucesso.
- É importante usar anzóis resistentes e sem farpas ou com protetores, pois o peixe pode pular e danificar a linha.
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